Sexta-feira, Setembro 25

Entrevista a Joana Montez e Patrícia de Melo

Entrevista a Joana Montez e Patrícia de Melo
“O vestido tem de ser o encaixe entre o tecido e a ideia certa!”
Por Joana Garcia da Cruz para VogueNoiva-BridePaper

São donas de um inquestionável talento e possuem uma cumplicidade visível nas palavras e nos gestos.

Joana Montez e Patrícia de Melo formam uma dupla de criadoras de vestidos de noiva e acessórios, reconhecida em Portugal não só pelo seu profissionalismo mas também pelo requinte que emprestam a cada uma das suas criações. Para estas duas amigas de infância, a perfeição e a técnica são instrumentos de trabalho e a qualidade e rigor são os seus melhores parceiros de negócio.

A VogueNoiva-BridePaper esteve à conversa com esta dupla de sucesso na loja/atelier da marca, em Cascais, onde partilharam preciosos conselhos, ambições e metas numa interessante conversa entre tecidos e ideias que dão forma a vestidos de sonho.

Como surgiu esta vossa paixão pelo design de moda, neste caso específico, moda de noivas?
Joana Montez (JM)
- Design de moda? Com 12 anos ou 13 anos. Lembro-me bem de fazermos os vestidos para ir às festas e de, já na altura, serem todos diferentes dos vestidos das nossas amigas. E eu achava que os nossos eram muito mais giros!

Patrícia de Melo (PM) - Nós criávamo-los para ir às festas, para sair à noite e, às vezes, estávamos desde as sete da tarde à meia noite a fazer os nossos próprios vestidos e depois íamos sair. Levávamos coisas completamente fora do normal! (Risos)

JM - Quando começámos a trabalhar, inicialmente fazíamos vestidos para amigas, pessoas conhecidas e estávamos certas de que tínhamos, e temos, um jeito especial para fazer, para criar…

PM - Mais tarde achámos que trabalhar com noivas era muito interessante, porque podemos trabalhar tecidos mais caros, temos um timming mais alargado para realizar o trabalho e acabamos por trabalhar com a felicidade de cada uma das nossas clientes. No fundo, é sempre animado porque quando uma pessoa vai casar está sempre animadíssima! Isso dá-nos um gozo especial, porque consegue-se sempre proporcionar felicidade no nosso dia-a-dia.

Como é que foi o começo do vosso percurso enquanto dupla de criadoras em Portugal?
JM
- Antes de mais, já éramos amigas. Estudámos Design de Moda juntas mas tirámos primeiro design têxtil, o que eu acho que ajuda bastante, porque um tecido é tão importante como um desenho. Na verdade, é a conjugação dessas duas coisas que depois faz o vestido.

Mas como foi a vossa entrada neste mundo, a nível profissional?
JM - Numa primeira fase, trabalhávamos só em atelier. Fazíamos vestidos por medida, as noivas vinham, fazíamos os desenhos… Depois começámos a perceber que vender ideias é muito difícil e achámos que seria uma boa aposta abrir uma loja.
Mais tarde o site veio ajudar a que tivéssemos uma montra do nosso trabalho. Agora toda a gente tem um site na Internet mas há 9 anos… Ou melhor, há 10 anos, estávamos completamente sozinhas a este nível.

Mas quando começaram também faziam vestidos de noite?
PM
- Sim. Depois acabámos por nos centrar só nas noivas porque começámos a gostar imenso do trabalho. Então achamos que valia a pena dar mais do nosso tempo a esta área.
JM - Eu acho que somos das únicas lojas em Portugal, se não a única, a fazer só vestidos de noiva!

No início, quais foram os principais desafios que sentiram para ingressar neste mundo?
JM - Quando nós começámos, as pessoas não sabiam quem éramos. Agora já não acontece, e ainda bem, porque também as coisas evoluíram mas…
PM - Até pela idade que nós tínhamos havia sempre uma certa desconfiança, porque aconteceu imensas vezes termos a mesma idade, e às vezes sermos até mais novas, do que as próprias noivas! Tínhamos 22 anos… Aliás, precisamente por sermos mais novas do que muitas noivas, tínhamos de provar que aquilo que fazíamos era realmente muito bom! Se assim não fosse era impensável vendermos um único vestido. Aliás, por isso é que nós fizemos a primeira colecção, porque as pessoas olhavam para nós com algumas reservas. As noivas gostavam sempre dos nossos trabalhos, mas as mães punham sempre um bocadinho em questão a nossa idade. Muitas pensavam: “Meu Deus, tão novinhas, o que é que elas vão fazer?”
JM - A verdade é que não é a mesma coisa vender um vestido para uma festa, que a pessoa vai comprar “n” durante a vida, e um vestido de noiva que é um vestido único! Temos de convencer que somos boas naquilo que fazemos e os padrões são muito elevados.

Enquanto dupla de criadoras cada uma tem tarefas distintas ou funcionam em conjunto?
JM
- A colecção desenhamos em conjunto com as ideias que surgem em cada cabeça. Não estamos sempre em sintonia. E até é bom! Eu acho mesmo que essa é uma vantagem das pessoas trabalharem em dupla. É precisamente o facto das pessoas serem diferentes e sem dúvida que é o acrescentar isto e tirar aquilo que muitas vezes melhora imenso o trabalho. Eu acho que trabalhar em dupla é sempre uma vantagem, porque há sempre uma discussão.

Costumam discutir muito as vossas opiniões?
PM - Nós já nos conhecemos há imenso tempo…
JM - Às vezes nem precisamos falar! (Risos)
PM - Já há aquela transmissão de pensamentos. Se às vezes surge uma ideia em que eu não concorde tanto ou o contrário, o olhar diz tudo. É claro que depois há uns vestidos que são mais apadrinhados pela Joana e outros por mim. É natural. E eu até costumo dizer, “ o teu vestido”. Há sempre um que é o dela e outro que é o meu! (Risos) De certo modo é isso, mas é lógico que para trabalhar em dupla temos de nos respeitar uma à outra, assim como as ideias de cada uma. Claro que há coisas que se conseguem fazer com muita facilidade em dupla e outras que nem por isso… Não é que incomode mas se calhar não faria assim, faria de outra maneira mas também não sei qual é a outra maneira.
JM - A colecção é toda desenhada em papel, escolhemos os materiais e depois os vestidos são construídos um a um em protótipos. Às vezes nós temos um vestido que se desenhou assim e nós achamos que falta ali qualquer coisa. Depois é capaz de ficar colocado num busto, imagine, uma semana! Até que chega um momento, nós olhamos e já sabemos o que falta ali! E muitas vezes, mesmo em construção, as coisas são alteradas.
PM - Nós temos uma parte técnica em que sabemos como é que as coisas se constroem e, é por isso que, quando estamos a desenhar sabemos quais vão ser as barreiras e as dificuldades. Toda essa parte é logo pensada no papel. Depois disso, quando chega à parte técnica ainda vamos ter outras barreiras que não pensámos! E esse é o risco de um exclusivo. A parte técnica é muito importante. Como é que vamos resolver? Como é que vamos chegar ali tecnicamente? Fazer desenhos é muito giro mas eu tenho de saber que aquilo que eu estou a desenhar é exequível. O estarmos aqui, o termos chegado onde chegámos, é sem dúvida por sermos rigorosas em tudo. E orgulhamo-nos de não termos uma reclamação!
JM - Nós entregamos o vestido pronto e perfeito, custe em termos de timming aquilo que custar! Isso para nós, não tem discussão!

Em média, quanto tempo consideram ser necessário para planear o vestido de uma noiva?
Refiro-me desde do dia em que a noiva chega à vossa loja pela primeira vez até ao momento antes do casamento?

PM - Não quer dizer que não se faça num timming mais apertado mas o ideal são seis meses. Nós importamos todos os tecidos, portanto nós não fazemos stock de material. Os materiais são todos encomendados.
JM - Às vezes acontece que uma noiva vem com menos tempo e se calhar tem de ficar mais restrita. Há coisas que sabemos que é arriscado, porque depois ainda temos de fazer as provas. Imagine que eu vendo-lhe um vestido de noiva e depois vem à prova e eu digo-lhe que o tecido não é exactamente igual ao que escolheu, é parecido.
PM - Isso nunca pode acontecer!
JM - Isso é impensável! É aquilo que a pessoa quer! E só isso conta.
PM - Há um compromisso, uma responsabilidade imensa. As coisas têm de estar efectivamente perfeitas!

Portanto, o design por si só é insuficiente?
JM - Só o design não chega. A qualidade de tudo, dos serviços, é muito importante… Às vezes acontece, eu vou para prova, olho para o vestido e acho que não está perfeito. Se for preciso, nós mandamos desmanchá-lo! Neste momento, temos um caso desses. Desmanchamos todo o vestido, se for preciso, e voltamos a fazer. E porque é que nós podemos fazer isto? (E talvez por isso é que nós nos tenhamos dedicado às noivas.) Porque como somos muito perfeccionistas e trabalhamos com vestidos caros, temos muita margem para poder fazer estas coisas. Para vestidos de noite, nós não temos mercado, isto não é Hollywood! (Risos) Temos de ter noção da dimensão do nosso país!

Quando uma noiva vos procura, dão a vossa opinião, perante as escolhas? Sentem que têm essa liberdade?
PM - Nós tentamos sempre aconselhar aquilo que vai ficar melhor. Respeitamos o gosto da noiva mas tentamos sempre ajustar ao seu corpo. De um modo geral, as noivas são completamente receptivas à nossa opinião mas, pontualmente, pode haver uma pessoa (e acontece) que diz: “Não! Eu quero este, porque sinto-me bem com este!” E aí nós temos de respeitar.
JM - Às vezes, podemos substituir. Imaginemos que o tecido de baixo é muito “molinho”, marca tudo e, por acaso, a noiva é mais gordinha? Nós vamos substituir essa parte. A imagem é a mesma quando olha mas o vestido foi construído de uma forma diferente para favorecer. Isto é muito importante, porque quando as pessoas escolhem um vestido de noiva, estão um bocado perdidas, porque não é uma coisa que se escolha todos os dias. Eu acho que quem aconselha aqui tem um papel…
PM- Fundamental!
Além da colecção, têm modelos exclusivos?
PM - Sim, aí é desenhado um modelo único, exclusivamente para aquela noiva, porque pretende uma coisa completamente diferente e que não faz parte da colecção. Se quer exclusividade, é-lhe dada essa exclusividade. É feito um estudo, percebemos mais ou menos qual é o ambiente da festa, se é de manhã se é à tarde ou à noite, o local e toda a envolvência que ela entretanto já pensou. Também tentamos perceber qual é, de certo modo, o tema da festa. Depois são feitas algumas propostas que são discutidas com a noiva. É sem dúvida um trabalho mais exigente, porque é um trabalho de protótipo, tem provavelmente mais provas e as coisas são mais discutidas.

Além dos vestidos, também criam sapatos e acessórios?
PM - Sim, também fazemos sapatos e normalmente nos sapatos cada caso é um caso. Temos um mostruário de loja que no fundo serve mais para as pessoas se basearem no que é que é possível fazer mas, normalmente, para cada noiva desenhamos um modelo. Os sapatos dependem muito do tecido que já escolheu, e que vamos usar para o vestido, ou da pele. Normalmente, há sempre uma ligação entre o tecido e pele ou só tecido igual ao vestido. Costumamos fazer um sapato por cliente. Quanto aos acessórios, temos alguns disponíveis, outros criamos, depende da situação. Hoje em dia, as pessoas estão a usar muito as peças de família, as jóias antigas, e o que nós muitas vezes tentamos fazer consiste em reajustar ao vestido ou adaptar.

Consideram o uso das peças de família, uma tendência actual?
PM - Sem dúvida!
JM - E ainda bem! Houve alturas em que as pessoas usavam coisas de plástico! Não faz sentido, por exemplo, ter um vestido de 2800 euros e ter um acessório feito de cabo e pérolas. Ou cabo e cristais…
PM - É bom que essas peças antigas saiam cá para fora. Hoje em dia, há tão poucos eventos em que as pessoas podem usá-las!
JM - Nós usamos muito e aconselhamos muito a que as noivas as usem. Têm passado peças por aqui verdadeiramente maravilhosas!
PM - Acabam por dar um toque muito pessoal ao vestido e eu acho que isso é muito importante. Algo que tenha a ver com a noiva e que complete uma imagem única e equilibrada.
São reconhecidas em Portugal inquestionavelmente. Já pensaram em dar o salto para a cena internacional?
PM - Já! (Risos)
JM - Ainda não o fizemos porque temos filhos pequenos. Só estamos a aguardar que eles cresçam um bocadinho. (Risos) Porque acho que há imenso espaço mesmo lá fora, para nós. Se virmos um estilista de noivas italiano, nós estamos perfeitamente ao nível deles! Temos capacidade para concorrer com eles. Não temos é um país como, por exemplo, têm os espanhóis que os apoia incondicionalmente e que têm uma estrutura fantástica.

Como é que descrevem as vossas personalidades, criativamente falando?
JM - Pergunta difícil… Criativamente…Bem, a criatividade é daquelas coisas que ou se tem ou não se tem. Acho que não se adquire. Claro que depois se melhora e aprendem-se imensas coisas mas acho que é uma coisa que é natural em mim.
PM - (Risos) Há coisas que são tão naturais que nós nem pensamos nelas. É este o caso. Não sei bem… A verdade é que desde o início que temos a política de fazermos só o que gostamos. Porque se não o fizermos vamos ser iguais aos outros e, de certo modo, acabávamos por deixar de ter o nosso cunho pessoal. Os nossos vestidos têm e seguem uma linha. E as nossas clientes identificam-na! Realmente a nossa política de trabalho é a de não nos vendermos às ideias dos outros.

No que é que se inspiram para as vossas criações?
PM
- Eu acho que a inspiração vem de tudo o que nos rodeia. Tudo aquilo que acabamos por consumir de informação não só das próprias revistas de moda como também através da ida às lojas, ver o que as pessoas compram, o que consomem no seu dia a dia. Porque no fundo, é isso que as pessoas procuram.
JM - São esses olhares sobre as lojas, sobre o que a pessoa consome ou não consome, que depois nós transportamos nas nossas ideias.

Em termos de colecção já há novidades?
PM - Em Setembro já começamos a ter a colecção nova para 2010. Neste momento estamos a fazer as entregas do ano, basicamente porque toda a gente se casa entre Julho e Setembro. Outubro, também... Para nós, acaba o ano de 2009 e inicia-se o ano de 2010. É nessa altura que mostramos a colecção e depois as noivas começam a procurar-nos, normalmente o pico é Dezembro e Janeiro.

A simplicidade é uma característica das vossas criações?
PM - Sim, nós achamos que o próprio vestido não deve ofuscar a noiva.
Tem que haver um equilíbrio entre a forma e o material. Sem dúvida, é muito mais difícil construir um vestido simples, ou melhor que tem um ar simples… Por vezes para conseguirmos essa imagem de simplicidade é muito complicado.
JM - Mas eu acho que isto tem a ver connosco porque nós somos assim, não conseguimos fazer de outra maneira. Mesmo que quiséssemos! Mas sendo esta a nossa linha, eu acho que isso em nós é natural! O simples não é igual ao simplório e, realmente, trabalhar por medida dá-nos uma liberdade imensa para podermos fazer o simples e lidar só com tecidos de gama alta também nos dá essa liberdade.

Qual é que julgam ser a vossa mais-valia enquanto marca?
PM
- O nosso trabalho é muito apreciado porque nós conseguimos disfarçar ou favorecer os pontos que a noiva quer, que achamos que fica melhor… Tudo o que deve ser possível, nós conseguimos fazer. Numa peça que não é feita por medida, ou uma pessoa tem aquele tamanho standard e fica indiscutivelmente muito bem ou então se foge um bocadinho às medidas, já não é a mesma coisa. Esta é realmente a grande diferença entre um vestido por medida como o nosso e o industrial.
JM - E depois há outra coisa, nós temos muito contacto com o público, o que eu acho que é uma grande vantagem para um estilista. Contactar, estar no terreno… Nós não estamos aqui fechadas num gabinete! Estamos aqui a ver o que é que as pessoas estão a sentir, o que esperam, o que é mais apreciado. E eu acho que, de facto, a beleza interior é uma coisa que é verdadeira e existe. Às vezes há uma noiva que entra e a pessoa diz: “Ai que bonita!” Mas depois não brilha. E é a beleza interior que faz essa diferença e isso é uma coisa real. Eu tenho tido este ano alguns casos de noivas que não são muito bonitas à primeira vista e que até são gordinhas mas fizeram noivas lindas, porque são pessoas que por si só conseguem ter uma beleza interior enorme!
PM - E temos feito trabalhos para noivas mais gordinhas, absolutamente fantásticos!
Desde miúdas saírem daqui quase a chorar de emoção porque, repare, há uma grande pressão social…Infelizmente. Lembro-me perfeitamente de um dia ter aqui chegado uma noiva que quase que a espreitar a medo perguntou: “ Fazem para o meu tamanho?” Porque a verdade é que já estão habituadas a chegar às lojas e a não encontrar nada. Hoje em dia não há tantos sítios assim onde se possa recorrer para fazer um vestido por medida. E temos feito trabalhos fantásticos! São trabalhos que estas noivas apreciam de uma forma muito diferente. Eu gosto imenso de fazer este tipo de trabalhos porque, é o que a Joana diz, há ali uma beleza interior que está fechada.

Conselhos preciosos para as noivas?
PM - Escolher o vestido com a devida antecedência. Depois, uma coisa que as pessoas não valorizam muito e que nós achamos que é importante, o cabelo e a maquilhagem. No fundo é o que vai complementar. A noiva deve fazer sempre um teste de cabelo com a devida antecedência, fotografar para ver se gostou, e provar o vestido com o cabelo para ter noção de como é que fica.
JM - Acho também que quando a pessoa vem escolher um vestido de noiva é importante saber aquilo que não gosta mas vir um bocadinho com a mente aberta.
PM - Outra coisa muito importante é não trazer muita gente! Uma comitiva! Eu acho que duas pessoas são suficientes para ajudar a escolher o vestido. Quando a noiva traz muitas amigas, normalmente não faz boas escolhas. Porque cada cabeça a sua sentença, como já diz o ditado.

Qual é a melhor pessoa para ajudar na escolha?
JM - A mãe é a pessoa ideal. Sem dúvida de que a melhor pessoa para escolher o vestido de noiva é a mãe! De um modo geral é a pessoa que a conhece melhor. Não é como as amigas que, muitas vezes, já se estão a ver a elas vestidas para casar!

Porquê um vestido Joana Montez e Patrícia de Melo?
JM - Porque com um vestido nosso o que sobressai é a personalidade da noiva.
PM - Não tentamos mascarar as pessoas. Tentamos sempre ir buscar muito daquilo que a pessoa é! Isso faz a diferença!

Joana Montez Patrícia de Melo

Estilista: Carolina Herrera Versace

Vestido: belo de noiva

Maquilhagem: baton natural

Acessório: brincos colar
Sonho: felicidade paz interior
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Quinta-feira, Setembro 10

Samuel Rocher, a sua beleza em boas mãos.

A sua beleza em boas mãos.
por Sandra Ferreira para VogueNoiva-BridePaper Portugal

A maquilhagem pode estar impecável, a roupa perfeita mas sem dúvidaalguma que um dos nossos melhores acessórios e aliados que nos fazsentir mais femininas é o cabelo.

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Quarta-feira, Agosto 26

Tu, eu, e um padre.

Tu, eu, e um padre.
por Suzana Marto para VogueNoiva-BridePaper Portugal

Sou daquelas pessoas, de que se pode dizer, que tem uma “grande família”. Ao mais longe que consigo me recordar, todos os anos tem sido assim: dia de sol, vestidos e sapatos novos, a igreja, a efervescência da família toda reunida, as flores em cima de cumpridas toalhas de um branco imaculado, e a alegria contagiante do casal que dá o nó.
Para dizer a verdade, posso também dizer que na minha família, ao contrário das tendências crescente da sociedade para as uniões de facto, o casamento continua a ser uma tradição enraizada. Admito que adoro assistir a esses casamentos feitos com grande pompa, mas mesmo assim, não é bem com isso que sonho para mim.
Sonho de uma antiga capela, no alto de um penhasco de uma pequena aldeia remota, decorada com flores silvestres e lampiões. Ou de uma altar improvisado na praia de uma ilha. Mas só para ele, eu, e o padre. Sonho de um casamento como o de Romeu e Julieta.

Não, não desejou que a minha família esteja presente no dia do meu casamento. É verdade que é uma resolução chocante. Mas é assim tão escandaloso querer uma boda sem extravagância? Escapar aos intermináveis ensaios de vestidos por nenhum satisfazer o olhar crítico de mãe. Fugir as repetitivas discussões sobre a lista de convidados que cresce, cada vez mais, com nomes de pessoas desconhecidas. Não ter que aceitar a escolha do restaurante que impingiu o sogro porque o dono é um velho amigo. E assim de seguida... Para mim, o dia do meu casamento deve ser mesmo um marco da união com a pessoa que escolhi, sem ser de forma alguma ofuscada por mais uma festa de família. E ainda, ver essa mesma querer organizar no meu lugar e contrapor-se a tudo o que idealizei para o “meu” dia. Será algo assim tão mau querer que o casamento seja só de nós os dois, e não que seja o casamento das nossas famílias?

É certo que vai ser difícil de explicar a minha mãe que não estou a tentar fugir ao compromisso ou a despachar a coisa para não ter que pensar muito. Da mesma maneira do que ela, acreditou que se dou esse grande passou na minha vida, é para assumir uma união para todo o sempre. Que se hoje em dia as palavras ser mulher e homem já não tem muita força, para mim tem a mesma importância do que tinha no tempo dela. Mas agora vivemos num mundo onde tudo é um pouco mais complicado que isso. E eu nesta sociedade individualista, também quero ser egoísta!

O casamento não é só um vestido branco e uma boda, nem um estatuto que se alcança, mas todo um modo de vida em que os noivos se entreguem. E o importante para mim, é que o meu noivo queira assumir comigo uma vida a dois, em que os nossos futuros ficam entrelaçados. E quero poder me deleitar com a minha cara-metade do nosso amor concretizado numa união, sem que essa felicidade seja invadida para qualquer sombra. Pensem um minuto como um casamento poderia ser um momento exclusivo, livre das complicações do dia-a-dia.

É por isso que não me importava que o meu namorado planeasse umas férias em Nova York para me fazer o pedido. Em 24 horas como nos filmes, podia ser a sua mulher. Só espero, que pensa antes de partir em levar algo de antigo para eu usar, para o nosso casamento ser abençoado.
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Segunda-feira, Agosto 24

Continua a sonhar?

Continua a sonhar?
por Rute Ribeiro para VogueNoiva-BridePaper Portugal

A alegria, a calma, a tranquilidade, a felicidade…Imaginar esse dia idílico, silencioso, em perfeita comunhão um com o outro, sem horários e rotinas… Calor, praia, um sítio paradisíaco… E se nos casássemos numa ilha?

Na Polinésia Francesa? Tahiti ou Bora Bora? É um sonho cada vez mais em voga. O tentar fugir às tradicionais obrigações, à típica cerimónia e imaginar como realmente gostaríamos que fosse esse dia…

Pois é, cada vez mais casais aproveitam uma escapada de verão para dizerem o tão esperado “sim” frente às translúcidas águas de uma ilha perdida no mundo. E afinal, não está assim tão longe ou tão impossível como parece. Este tipo de cerimónia não é realmente válida legalmente e será por isso, ou por toda a paisagem circundante, que esta forma inconvencional está repleta de romantismo. Já há hotéis que organizam este tipo de casamentos.

Imagine…uma capela sobre a água e com o chão em vidro… Esquecer o tradicional vestido que tanto tempo nos ocupa a escolher, tantas provas, tantos “e se este”, “e aquele outro”… porque não trocá-lo por um simples pareo e um colar de flores e conchas? A areia fina, a água límpida, uma paisagem que não parece real, um sorriso…

Chega a hora: o noivo é transportado em canoa e a noiva é levada num trono pela fina areia branca… Com as magníficas vistas de uma ilha que parece não ser possível existir, com a cálida cor da luz do pôr do sol, a música tradicional interpretada por bailarinos locais… E um padre que atribui nomes tahitianos para o noivo e para a noiva...

Continua a sonhar?
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Sábado, Agosto 22

Mime-se!!

Mime-se!!
por Margarida Marinho para VogueNoiva-BridePaper Portugal

Está a uma semana de um momento tão decisivo e marcante como o seu casamento. Está ou, talvez melhor, estão! Encontram-se felizes, mas ansiosos e acima de tudo muito cansados! Os detalhes deste dia tão especial têm de ser analisados ao mínimo pormenor e porque a máxima que proclama «quem corre por gosto não cansa» nem sempre ou, quase nunca se aplica, nada melhor do que optarem por um ritual de relaxamento e beleza em conjunto.

São cada vez mais os casais que escolhem passar um dia num Spa, por iniciativa própria ou resultado de um presente de casamento original. Existem vouchers que podem ser encomendados via internet mesmo à distância de um click.
É uma óptima forma de surpreender o casal com uma lua-de-mel antecipada!
Aliando o útil ao agradável.
Quando falamos em utilidade, esta remete-nos para a necessidade dos noivos estarem perfeitos neste dia, o que faz com que optem por incluir nestas autênticas “curas” do corpo e da alma, tratamentos de rosto e corpo juntamente com massagens super relaxantes. Aromaterapia, Ayurvédica (Ciência da Saúde), pedras quentes são alguns exemplos de uma infinidade de tratamentos disponíveis.

É já uma tendência os Spas possuírem packs com este objectivo, como no caso do Spatitude, na capital, em plena Av. 5 de Outubro.
Tem 5 anos e foi um dos primeiros Spas a surgir em Lisboa, um local que possui uma atmosfera relaxante e tranquilizadora que convida a iniciar uma deliciosa viagem de relaxamento.

Noiva no Paraíso é o nome deste tratamento. 5 horas de pleno prazer!
Sessão de Hidroterapia
Banho de pés com lima e ervas orientais
Esfoliante Oriental Spatitude
Aromaterapia (massagem com óleos essenciais)
Refeição Ligeira (salada)
Tratamento de Rosto Sundãri (linha americana baseada na Medicina Ayrvédica)
Spa Manicure
Spa Pedicure
Tisana, fruta e Relaxamento.

Faça uma busca, procure o Spa mais próximo, qual o tratamento que mais gostaria de fazer e marque sem hesitações.
Guarde um tempinho para si e para o seu noivo e desfrute!
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Sexta-feira, Agosto 21

DNA MASCULINO

DNA MASCULINO
por Joana Vales para VogueNoiva-BridePaper Portugal

A todas as mulheres,

Será que somos apenas resultado de uma interacção organizada de genes com a influência do ambiente em que nos inserimos? Herdeiros de um passado familiar e das suas características físicas e psicológicas?

Transportando estas questões para o plano da relação conjugal, muitas vezes pensamos… “um dia gostaria de ser feliz no casamento como são os meus pais…ter a oportunidade de celebrar as bodas de ouro como os meus avós…quem sabe chegar às lindas bodas de diamante…”. O homem é um ser especial. É muito mais que futebol e cerveja, sentados no sofá com os pés em cima da mesa de centro e comando de TV na mão em permanente zapping à procura dos canais desportivos, muito mais que borgas e pensamentos masoquistas, piropos desconexos e secos como que ditos no centro do deserto, à volta de uma fogueira.

O homem sabe olhar muito além do meramente visível, sabe ler pensamentos e antecipar situações, sabe proteger e lutar pela família, sabe ir à luta por novas oportunidades e novas conquistas. Em muitos casos, o comportamento evidenciado não está de acordo com os pergaminhos do verdadeiro homem, tomam atitudes que não dignificam o ser, tornam-nos numa forma de escape, de fuga aos problemas do dia-a-dia. Mas não pode ser usado como desculpa. É culpado.
O homem no fundo sabe cozinhar, não tem é muita vontade ou então nunca teve necessidade de pegar no avental, nas panelas e ir para o fogão, sabe lavar a roupa e colocá-la a secar (uma medalha para quem inventou as máquinas de lavar e secar roupa), sabe engomar…mas em último caso inventaram as lavandarias, sabe limpar e organizar. Tudo é fruto de uma conjugação de factores, apesar de todos os homens serem geneticamente diferentes, possuem características semelhantes que podem ser desenvolvidas e trabalhadas de forma positiva para bem do casamento.


A educação na infância em muito influência o homem. O que presenciamos são ensinamentos, o que ouvimos são teorias, o que sentimos no meio de tudo e no final…é o que somos. O homem no geral é extrovertido, calmo e sentimental. Gosta de ver uma boa comédia romântica com final feliz, gosta de passear de mão dada, gritar “gosto de ti”, levar o sorriso àquela pessoa especial, ouvir os seus pensamentos, as suas ideias. Tornar realidade os sonhos possíveis de concretizar, e dizer que os impossíveis não são problema… ”fecha os olhos…atingis-te a lua? então abraça-a… não a tragas, deixa-a onde está…outras pessoas também a querem abraçar…podes tocar-lhe sempre que quiseres”.

Não se deve tirar ilações sobre um homem antes de o conhecer verdadeiramente; não olhe só ao aspecto exterior…pode até ser belo por fora, vir decorado com o papel de embrulho mais brilhante e vistoso, pode até dizer umas piadas engraçadas…mas por dentro pode ser intragável, frio e distante. O verdadeiro homem está no comportamento e nas atitudes que toma, não nos músculos e na palavra vazia.

Acreditem…o homem sente a palavra…AMO-TE!
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Quarta-feira, Agosto 19

Em sintonia…

Em sintonia…
por Joana Vales para VogueNoiva-BridePaper Portugal

Um jantar à luz das velas, flores, champanhe, violinos, um pezinho de dança e no final ele tira do bolso uma caixinha. Ela olha com ar surpreendido mas como quem sabe perfeitamente o que vai acontecer a seguir e ele mostra o anel. Ela leva as mãos à cara, repete vezes sem conta “ai eu não acredito” ele sorri, apesar do nervosismo que não consegue esconder, ajoelha-se e faz o pedido: “Queres casar comigo?” “ Sim, sim, sim”, diz ela com o rosto cheio de lágrimas.
Dezenas de realizadores escolheram este cenário para os seus filmes. As personagens do guião influenciaram muitos homens e ao longo dos anos muitos foram os pedidos de casamento feitos desta forma.

Pedido de casamento. Sim aceito. Casa comigo. Claro que caso. Fica comigo para sempre. São palavras que já invadiram a cabeça de todos os apaixonados. Quando a relação avança cresce a necessidade de unir laços, de partilhar tudo com a outra pessoa e o pedido de casamento vem oficializar essa vontade.

Sou mulher e já pensei nisso muitas vezes. Os tempos mudam e nem sempre são os homens a fazer “o pedido”. Muitas vezes nem existe. Nós, mulheres, sonhamos com o momento mas acredito que os homens também pensem. E que dor de cabeça deve ser. Escolher o sítio certo, a altura certa, o momento, fazer com que seja único e inesquecível.

O pedido de casamento pode ser uma dor de cabeça para os homens. Não porque não o queiram fazer mas sim porque o queiram fazer de uma forma perfeita.

Pedidos de casamento. Simples, elaborados, demasiado pensados, impulsivos. Podem ser de todas as formas. Aviões com mensagens, fogo-de-artifício com letras, anel na sobremesa, anel no fundo do copo de champanhe, pétalas de rosa pela casa até encontrar o anel, no meio de amigos, na hora das badaladas na passagem de ano, no local onde deram o primeiro beijo, organizar uma viagem num sítio romântico e fazer o pedido, ter o mar como testemunha. Não faltam ideias.

Qual o momento certo?

A resposta é simples. Quando os dois estiverem em perfeita sintonia. Porque é muito mais do que um simples pedido. É o inicio de uma vida a dois, partilhada com tudo o que tem de bom e de menos bom.

A fonte de inspiração deve ser a pessoa que amamos. Não precisa de ser complicado, demasiado pensado. Tem que ser sentido, verdadeiro e consciente.
Pedido de casamento é sinónimo de sintonia.
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Terça-feira, Agosto 18

Ser feliz...saber A mar

Ser feliz...saber A mar
por Joana Vales para VogueNoiva-BridePaper Portugal

As flores de muitos cheiros, cores e feitios decoravam a igreja, aquela que ia ser a testemunha de união do amor de Isabel e Nuno.
Os convidados, mais de duzentos, de pé ao vê-la passar de vestido branco sorriam num acto de alegria e emoção, fascinados pela beleza da noiva. Ao fundo, Nuno esperava por Isabel que bem devagar deslizava ao longo do caminho onde o pai com um aperto de mão entregava a filha ao futuro genro.

Era assim que Isabel sonhava casar. Era assim que deitada na cama, com as mãos atrás da cabeça, construía o momento que seria para ela o perpetuar de um grande amor. Não foi assim que aconteceu. O pai não estava para lhe dar o braço até ao altar, para lhe dar o beijo de felicidade e a entregar ao futuro genro.

Isabel mudou os sonhos e criou a realidade de outra maneira. Casar na igreja já não seria a mesma coisa, tinha deixado de acreditar nas palavras divinas e a falta da mão entre os seus braços seria demasiada para que o dia fosse feliz.
Nuno nunca sonhou casar pelas Leis de Deus e juntos decidiram que a praia, onde se conheceram, ia ser o local para celebrar o amor.

Para a família de Isabel casar na praia era um absurdo. “Diziam-me sempre que era uma ideia maluca”, confessou Isabel entre risos.

A ideia foi para a frente e no dia 9 Julho casaram na praia, descalços, com flores e amigos.
Escolheu um vestido branco, de tecido leve, que dançava ao sabor da brisa que se fazia sentir ao final de tarde. O cabelo solto, com pequenas flores, e um sorriso nos lábios. “Foi o dia mais feliz da minha vida. Casar com o Nuno na praia foi mágico”.
Apenas amigos e família viveram o momento do enlace que teve como pano de fundo o mar, o pôr-do-sol e a felicidade dos noivos.
“Casar na praia foi maravilhoso mas há muitas coisas a tratar, nem tudo é fácil”, diz Nuno com a mão dada a Isabel.
As dificuldades não foram impedimento. Trataram de todos os pormenores necessários à realização do sonho. Foram juntos, como sempre, à delegação marítima e pediram autorização , já que casar na praia requer este tipo de procedimento. O fogo-de-artifício fazia parte dos planos e para tal pediram uma licença à junta de freguesia. O céu encheu-se de luz e de brilho no momento do beijo. O mais complicado para Nuno “foi convencer o Conservador a ir à praia”.

Este, sensibilizado pelos argumentos dos noivos, uniu o casal rodeado de uma decoração simples e em tons de azul. Depois foi só tratar dos acessos, das lembranças e dos convites. “Dissemos que íamos casar na praia mas que não queríamos ninguém de fato de banho”, confessou Isabel com uma pequena gargalhada. Preparam uma tenda para o caso do sol não comparecer à cerimónia, felizmente não precisaram de a usar. Festejaram com champanhe e bolo de noivos num ambiente puro, com a força e beleza do mar como fonte de inspiração, o cheiro da maresia que invadindo o momento tornou-o único, completo e descontraído.

Estão casados há dois anos e confessam que o amor que os une “é cada vez maior”.
“Não interessa se é na igreja, na praia ou em casa, o que importa é o amor que une as pessoas”, finalizou Nuno com um brilho nos olhos.
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Segunda-feira, Agosto 17

Tradições e superstições

Tradições e superstições
por Vera Esteves para VogueNoiva- BridePaper-Portugal

Pode ter sido amor à primeira vista, serem feitos um para o outro, terem uma relação das mais estáveis que se possa imaginar (e sonhar), estarem juntos há imenso tempo e serem ainda completamente loucos um pelo outro, mas mesmo assim cumprem as tradições e não negam as susperstições. Não vá o diabo tecê-las.

Quem casa deseja que esse grande passo seja o começo de uma vida inseparável e muito feliz, por isso até os mais cépticos se deixam (con)vencer pelos hábitos e símbolos. Existem muitas tradições e superstições ligadas ao casamento, umas mais fáceis de explicar que outras, mas a verdade é que vão passando de geração em geração e a maioria dos noivos respeita-as.

Existem ritos para todos os gostos: na Alemanha, a noiva transporta sal e pão no seu bolso para assegurar recompensa, o noivo transporta grãos de cereais, para dar saúde e sorte; na Turquia, antes da noiva sair da igreja, pede às suas amigas solteiras para escreverem os seus nomes na sola dos seus sapatos, já que a tradição dita que depois da noite de dança, a assinatura da pessoa que estiver mais gasta será a próxima pessoa a casar; as mulheres marroquinas tomam um banho de leite para se purificarem antes da cerimónia do casamento; e, na Dinamarca, as noivas e os noivos tradicionalmente trocam as roupas um com o outro, para confundir os maus espíritos.

Por cá, os rituais são bastante tradicionais, respeitantes à cultura ocidental:

Vestido branco. O vestido da noiva é branco, o que significa pureza e castidade. Mas as noivas já se vestiram de outras cores, entre elas o vermelho (na China antiga significava o amor e a alegria), o verde ou o preto (a noiva tradicional do Minho). Apenas no século XIX, a realeza europeia adoptou o vestido branco em definitivo. A moda terá sido iniciada com o casamento, em 1840, da rainha Vitória de Inglaterra com o seu primo, o príncipe Alberto.

Lançar o ramo. Os ramos de flores – ou o bouquet – são indispensáveis. Símbolos da vida, do crescimento, da fertilidade, afastam os maus espíritos e garantem a protecção da nova família. Se antigamente, a flor de laranjeira era rainha, hoje em dia pode ter toda a qualidade de flores, ou até algumas ervas, tais como o alecrim ou o manjericão que atraem a boa sorte. Manda a tradição que, no final da cerimónia, o bouquet seja lançado na direcção das jovens solteiras, sendo aquela que o agarrar a próxima a casar.

Atirar arroz/pétalas. O arroz que se lança aos noivos é um dos ritos mais antigos e é símbolo de vida, fertilidade e abundância. Por isso, os convidados atiram mãos cheias de arroz aos recém-casados, para desejar que tenham muitos filhos. Lançar o arroz é um hábito moderno importado da Ásia, mas há quem prefira lançar pétalas, o desejo é o mesmo.

Pegar a noiva ao colo. O noivo deve entrar em casa com a noiva ao colo. Este rito não é fácil de explicar, mas crê-se que seja para evitar os maus espíritos ou para impedir o azar da noiva cair à entrada de casa. Outra teoria defende que o azar surge se a noiva entrar na nova morada com o pé esquerdo e, assim, se o noivo a levar ao colo, evitam-se estes azares todos.

Algo novo, velho, emprestado e azul. Ou na rima em inglês: “Something old, some-thing new, something borrowed and something blue.” Quer isto dizer que o velho simboliza o passado e a continuidade; o novo significa optimismo, a esperança e a vida futura; o emprestado significa a felicidade que deverá ser partilhada por um casal já casado e o azul simboliza fidelidade, amor eterno e pureza.

Noivos não se podem ver na noite anterior. Esta estranha tradição recua até um tempo primitivo, no qual ninguém podia ver a noiva antes de ela integrar o grupo das mulheres casadas.

Cumpridas as tradições, agoiradas as superstições e respeitadas as promessas de permanecerem ao lado um do outro, na saúde e na doença, na tristeza e na alegria, juntamente com uns pozinhos mágicos, a união está mais que abençoada e consolidada para o futuro. Até que a morte os separe.
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Quarta-feira, Agosto 12

Amor e Adultério

Amor e Adultério
por Ana Fetal para VogueNoiva-BridePaper Portugal

A vida a dois nem sempre é fácil. Depois dos primeiros anos de casados, a excitante experiência de partilharam todos os aspectos quotidianos começa a cair na rotina. É dessa rotina que pode nascer a palavra “adultério”. Tess Stimsom, no seu romance, “O Clube do Adultério”, conta a história de um casal que se vê enredado numa crise conjugal que pode destruir o seu casamento.

Nicholas Lyon é um advogado londrino especializado em divórcios. Tem um casamento de 10 anos do qual nasceram 3 filhas e um lar organizado pela mulher, Malinche. Esta, por sua vez, não trabalha, toma conta das filhas e escreve livros sobre a sua paixão: a culinária. A vivenda onde vivem fica na periferia de Londres e Nicholas apanha o comboio na estação que fica perto da residência para ir trabalhar.

Uma vida perfeita até que um dia, ao sair do escritório, Nicholas cruza-se com a sensual Sara Kaplan ficando fascinado com a nova advogada que a sua firma acaba de contratar. A atracção é mútua e imediata. Quando os ataques terroristas deflagram em Londres, Nicholas fica retido na cidade e envolve-se com Sara. Malinche descobre num jantar da Ordem dos advogados que o homem por quem abdicou de ter uma vida própria a traiu. A desilusão cai sobre ela. No final, Malinche perdoa a Nicholas mas impõe-se e começa a trabalhar.

A lição que se pode tirar deste romance é que o casamento é muito mais do que uma cerimónia onde se fazem votos de amor para toda a vida. É o começo da construção de uma vida fundada no respeito, na confiança, na fidelidade, na amizade, no amor, na organização e na compreensão mútua. Nicholas conquistou uma segunda oportunidade junto da mulher com quem esteve casado 10 anos. Já Sara manteve-se junto dele até a paixão desaparecer e empurrou-o de volta para a mulher. Para aceitar o marido de volta, Malinche teve de ponderar muito bem se valia a pena lutar por uma pessoa que já a tinha magoado tanto. O casamento deles foi salvo depois do marido a ter traído e aderido ao “clube do adultério”. Um clube cuja adesão tem um preço demasiado alto.

A VogueNoiva recomenda: “O Clube do Adultério” de Tess Stimsom. Livros d’Hoje, Publicações Dom Quixote
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