Entrevista a Joana Montez e Patrícia de Melo
Entrevista a Joana Montez e Patrícia de Melo“O vestido tem de ser o encaixe entre o tecido e a ideia certa!”
Por Joana Garcia da Cruz para VogueNoiva-BridePaper
Por Joana Garcia da Cruz para VogueNoiva-BridePaper
São donas de um inquestionável talento e possuem uma cumplicidade visível nas palavras e nos gestos.
Joana Montez e Patrícia de Melo formam uma dupla de criadoras de vestidos de noiva e acessórios, reconhecida em Portugal não só pelo seu profissionalismo mas também pelo requinte que emprestam a cada uma das suas criações. Para estas duas amigas de infância, a perfeição e a técnica são instrumentos de trabalho e a qualidade e rigor são os seus melhores parceiros de negócio.
A VogueNoiva-BridePaper esteve à conversa com esta dupla de sucesso na loja/atelier da marca, em Cascais, onde partilharam preciosos conselhos, ambições e metas numa interessante conversa entre tecidos e ideias que dão forma a vestidos de sonho.
Como surgiu esta vossa paixão pelo design de moda, neste caso específico, moda de noivas?
Joana Montez (JM) - Design de moda? Com 12 anos ou 13 anos. Lembro-me bem de fazermos os vestidos para ir às festas e de, já na altura, serem todos diferentes dos vestidos das nossas amigas. E eu achava que os nossos eram muito mais giros!
Patrícia de Melo (PM) - Nós criávamo-los para ir às festas, para sair à noite e, às vezes, estávamos desde as sete da tarde à meia noite a fazer os nossos próprios vestidos e depois íamos sair. Levávamos coisas completamente fora do normal! (Risos)
JM - Quando começámos a trabalhar, inicialmente fazíamos vestidos para amigas, pessoas conhecidas e estávamos certas de que tínhamos, e temos, um jeito especial para fazer, para criar…
PM - Mais tarde achámos que trabalhar com noivas era muito interessante, porque podemos trabalhar tecidos mais caros, temos um timming mais alargado para realizar o trabalho e acabamos por trabalhar com a felicidade de cada uma das nossas clientes. No fundo, é sempre animado porque quando uma pessoa vai casar está sempre animadíssima! Isso dá-nos um gozo especial, porque consegue-se sempre proporcionar felicidade no nosso dia-a-dia.
Como é que foi o começo do vosso percurso enquanto dupla de criadoras em Portugal?
JM - Antes de mais, já éramos amigas. Estudámos Design de Moda juntas mas tirámos primeiro design têxtil, o que eu acho que ajuda bastante, porque um tecido é tão importante como um desenho. Na verdade, é a conjugação dessas duas coisas que depois faz o vestido.
JM - Antes de mais, já éramos amigas. Estudámos Design de Moda juntas mas tirámos primeiro design têxtil, o que eu acho que ajuda bastante, porque um tecido é tão importante como um desenho. Na verdade, é a conjugação dessas duas coisas que depois faz o vestido.
Mas como foi a vossa entrada neste mundo, a nível profissional?
JM - Numa primeira fase, trabalhávamos só em atelier. Fazíamos vestidos por medida, as noivas vinham, fazíamos os desenhos… Depois começámos a perceber que vender ideias é muito difícil e achámos que seria uma boa aposta abrir uma loja.
Mais tarde o site veio ajudar a que tivéssemos uma montra do nosso trabalho. Agora toda a gente tem um site na Internet mas há 9 anos… Ou melhor, há 10 anos, estávamos completamente sozinhas a este nível.
JM - Numa primeira fase, trabalhávamos só em atelier. Fazíamos vestidos por medida, as noivas vinham, fazíamos os desenhos… Depois começámos a perceber que vender ideias é muito difícil e achámos que seria uma boa aposta abrir uma loja.
Mais tarde o site veio ajudar a que tivéssemos uma montra do nosso trabalho. Agora toda a gente tem um site na Internet mas há 9 anos… Ou melhor, há 10 anos, estávamos completamente sozinhas a este nível.
Mas quando começaram também faziam vestidos de noite?
PM - Sim. Depois acabámos por nos centrar só nas noivas porque começámos a gostar imenso do trabalho. Então achamos que valia a pena dar mais do nosso tempo a esta área.
JM - Eu acho que somos das únicas lojas em Portugal, se não a única, a fazer só vestidos de noiva!
PM - Sim. Depois acabámos por nos centrar só nas noivas porque começámos a gostar imenso do trabalho. Então achamos que valia a pena dar mais do nosso tempo a esta área.
JM - Eu acho que somos das únicas lojas em Portugal, se não a única, a fazer só vestidos de noiva!
No início, quais foram os principais desafios que sentiram para ingressar neste mundo?
JM - Quando nós começámos, as pessoas não sabiam quem éramos. Agora já não acontece, e ainda bem, porque também as coisas evoluíram mas…
PM - Até pela idade que nós tínhamos havia sempre uma certa desconfiança, porque aconteceu imensas vezes termos a mesma idade, e às vezes sermos até mais novas, do que as próprias noivas! Tínhamos 22 anos… Aliás, precisamente por sermos mais novas do que muitas noivas, tínhamos de provar que aquilo que fazíamos era realmente muito bom! Se assim não fosse era impensável vendermos um único vestido. Aliás, por isso é que nós fizemos a primeira colecção, porque as pessoas olhavam para nós com algumas reservas. As noivas gostavam sempre dos nossos trabalhos, mas as mães punham sempre um bocadinho em questão a nossa idade. Muitas pensavam: “Meu Deus, tão novinhas, o que é que elas vão fazer?”
JM - A verdade é que não é a mesma coisa vender um vestido para uma festa, que a pessoa vai comprar “n” durante a vida, e um vestido de noiva que é um vestido único! Temos de convencer que somos boas naquilo que fazemos e os padrões são muito elevados.
JM - Quando nós começámos, as pessoas não sabiam quem éramos. Agora já não acontece, e ainda bem, porque também as coisas evoluíram mas…
PM - Até pela idade que nós tínhamos havia sempre uma certa desconfiança, porque aconteceu imensas vezes termos a mesma idade, e às vezes sermos até mais novas, do que as próprias noivas! Tínhamos 22 anos… Aliás, precisamente por sermos mais novas do que muitas noivas, tínhamos de provar que aquilo que fazíamos era realmente muito bom! Se assim não fosse era impensável vendermos um único vestido. Aliás, por isso é que nós fizemos a primeira colecção, porque as pessoas olhavam para nós com algumas reservas. As noivas gostavam sempre dos nossos trabalhos, mas as mães punham sempre um bocadinho em questão a nossa idade. Muitas pensavam: “Meu Deus, tão novinhas, o que é que elas vão fazer?”
JM - A verdade é que não é a mesma coisa vender um vestido para uma festa, que a pessoa vai comprar “n” durante a vida, e um vestido de noiva que é um vestido único! Temos de convencer que somos boas naquilo que fazemos e os padrões são muito elevados.
Enquanto dupla de criadoras cada uma tem tarefas distintas ou funcionam em conjunto?
JM - A colecção desenhamos em conjunto com as ideias que surgem em cada cabeça. Não estamos sempre em sintonia. E até é bom! Eu acho mesmo que essa é uma vantagem das pessoas trabalharem em dupla. É precisamente o facto das pessoas serem diferentes e sem dúvida que é o acrescentar isto e tirar aquilo que muitas vezes melhora imenso o trabalho. Eu acho que trabalhar em dupla é sempre uma vantagem, porque há sempre uma discussão.
JM - A colecção desenhamos em conjunto com as ideias que surgem em cada cabeça. Não estamos sempre em sintonia. E até é bom! Eu acho mesmo que essa é uma vantagem das pessoas trabalharem em dupla. É precisamente o facto das pessoas serem diferentes e sem dúvida que é o acrescentar isto e tirar aquilo que muitas vezes melhora imenso o trabalho. Eu acho que trabalhar em dupla é sempre uma vantagem, porque há sempre uma discussão.
Costumam discutir muito as vossas opiniões?
PM - Nós já nos conhecemos há imenso tempo…
JM - Às vezes nem precisamos falar! (Risos)
PM - Já há aquela transmissão de pensamentos. Se às vezes surge uma ideia em que eu não concorde tanto ou o contrário, o olhar diz tudo. É claro que depois há uns vestidos que são mais apadrinhados pela Joana e outros por mim. É natural. E eu até costumo dizer, “ o teu vestido”. Há sempre um que é o dela e outro que é o meu! (Risos) De certo modo é isso, mas é lógico que para trabalhar em dupla temos de nos respeitar uma à outra, assim como as ideias de cada uma. Claro que há coisas que se conseguem fazer com muita facilidade em dupla e outras que nem por isso… Não é que incomode mas se calhar não faria assim, faria de outra maneira mas também não sei qual é a outra maneira.
JM - A colecção é toda desenhada em papel, escolhemos os materiais e depois os vestidos são construídos um a um em protótipos. Às vezes nós temos um vestido que se desenhou assim e nós achamos que falta ali qualquer coisa. Depois é capaz de ficar colocado num busto, imagine, uma semana! Até que chega um momento, nós olhamos e já sabemos o que falta ali! E muitas vezes, mesmo em construção, as coisas são alteradas.
PM - Nós temos uma parte técnica em que sabemos como é que as coisas se constroem e, é por isso que, quando estamos a desenhar sabemos quais vão ser as barreiras e as dificuldades. Toda essa parte é logo pensada no papel. Depois disso, quando chega à parte técnica ainda vamos ter outras barreiras que não pensámos! E esse é o risco de um exclusivo. A parte técnica é muito importante. Como é que vamos resolver? Como é que vamos chegar ali tecnicamente? Fazer desenhos é muito giro mas eu tenho de saber que aquilo que eu estou a desenhar é exequível. O estarmos aqui, o termos chegado onde chegámos, é sem dúvida por sermos rigorosas em tudo. E orgulhamo-nos de não termos uma reclamação!
JM - Nós entregamos o vestido pronto e perfeito, custe em termos de timming aquilo que custar! Isso para nós, não tem discussão!
PM - Nós já nos conhecemos há imenso tempo…
JM - Às vezes nem precisamos falar! (Risos)
PM - Já há aquela transmissão de pensamentos. Se às vezes surge uma ideia em que eu não concorde tanto ou o contrário, o olhar diz tudo. É claro que depois há uns vestidos que são mais apadrinhados pela Joana e outros por mim. É natural. E eu até costumo dizer, “ o teu vestido”. Há sempre um que é o dela e outro que é o meu! (Risos) De certo modo é isso, mas é lógico que para trabalhar em dupla temos de nos respeitar uma à outra, assim como as ideias de cada uma. Claro que há coisas que se conseguem fazer com muita facilidade em dupla e outras que nem por isso… Não é que incomode mas se calhar não faria assim, faria de outra maneira mas também não sei qual é a outra maneira.
JM - A colecção é toda desenhada em papel, escolhemos os materiais e depois os vestidos são construídos um a um em protótipos. Às vezes nós temos um vestido que se desenhou assim e nós achamos que falta ali qualquer coisa. Depois é capaz de ficar colocado num busto, imagine, uma semana! Até que chega um momento, nós olhamos e já sabemos o que falta ali! E muitas vezes, mesmo em construção, as coisas são alteradas.
PM - Nós temos uma parte técnica em que sabemos como é que as coisas se constroem e, é por isso que, quando estamos a desenhar sabemos quais vão ser as barreiras e as dificuldades. Toda essa parte é logo pensada no papel. Depois disso, quando chega à parte técnica ainda vamos ter outras barreiras que não pensámos! E esse é o risco de um exclusivo. A parte técnica é muito importante. Como é que vamos resolver? Como é que vamos chegar ali tecnicamente? Fazer desenhos é muito giro mas eu tenho de saber que aquilo que eu estou a desenhar é exequível. O estarmos aqui, o termos chegado onde chegámos, é sem dúvida por sermos rigorosas em tudo. E orgulhamo-nos de não termos uma reclamação!
JM - Nós entregamos o vestido pronto e perfeito, custe em termos de timming aquilo que custar! Isso para nós, não tem discussão!
Em média, quanto tempo consideram ser necessário para planear o vestido de uma noiva?
Refiro-me desde do dia em que a noiva chega à vossa loja pela primeira vez até ao momento antes do casamento?
PM - Não quer dizer que não se faça num timming mais apertado mas o ideal são seis meses. Nós importamos todos os tecidos, portanto nós não fazemos stock de material. Os materiais são todos encomendados.
JM - Às vezes acontece que uma noiva vem com menos tempo e se calhar tem de ficar mais restrita. Há coisas que sabemos que é arriscado, porque depois ainda temos de fazer as provas. Imagine que eu vendo-lhe um vestido de noiva e depois vem à prova e eu digo-lhe que o tecido não é exactamente igual ao que escolheu, é parecido.
PM - Isso nunca pode acontecer!
JM - Isso é impensável! É aquilo que a pessoa quer! E só isso conta.
PM - Há um compromisso, uma responsabilidade imensa. As coisas têm de estar efectivamente perfeitas!
Refiro-me desde do dia em que a noiva chega à vossa loja pela primeira vez até ao momento antes do casamento?
PM - Não quer dizer que não se faça num timming mais apertado mas o ideal são seis meses. Nós importamos todos os tecidos, portanto nós não fazemos stock de material. Os materiais são todos encomendados.
JM - Às vezes acontece que uma noiva vem com menos tempo e se calhar tem de ficar mais restrita. Há coisas que sabemos que é arriscado, porque depois ainda temos de fazer as provas. Imagine que eu vendo-lhe um vestido de noiva e depois vem à prova e eu digo-lhe que o tecido não é exactamente igual ao que escolheu, é parecido.
PM - Isso nunca pode acontecer!
JM - Isso é impensável! É aquilo que a pessoa quer! E só isso conta.
PM - Há um compromisso, uma responsabilidade imensa. As coisas têm de estar efectivamente perfeitas!
Portanto, o design por si só é insuficiente?
JM - Só o design não chega. A qualidade de tudo, dos serviços, é muito importante… Às vezes acontece, eu vou para prova, olho para o vestido e acho que não está perfeito. Se for preciso, nós mandamos desmanchá-lo! Neste momento, temos um caso desses. Desmanchamos todo o vestido, se for preciso, e voltamos a fazer. E porque é que nós podemos fazer isto? (E talvez por isso é que nós nos tenhamos dedicado às noivas.) Porque como somos muito perfeccionistas e trabalhamos com vestidos caros, temos muita margem para poder fazer estas coisas. Para vestidos de noite, nós não temos mercado, isto não é Hollywood! (Risos) Temos de ter noção da dimensão do nosso país!
JM - Só o design não chega. A qualidade de tudo, dos serviços, é muito importante… Às vezes acontece, eu vou para prova, olho para o vestido e acho que não está perfeito. Se for preciso, nós mandamos desmanchá-lo! Neste momento, temos um caso desses. Desmanchamos todo o vestido, se for preciso, e voltamos a fazer. E porque é que nós podemos fazer isto? (E talvez por isso é que nós nos tenhamos dedicado às noivas.) Porque como somos muito perfeccionistas e trabalhamos com vestidos caros, temos muita margem para poder fazer estas coisas. Para vestidos de noite, nós não temos mercado, isto não é Hollywood! (Risos) Temos de ter noção da dimensão do nosso país!
Quando uma noiva vos procura, dão a vossa opinião, perante as escolhas? Sentem que têm essa liberdade?
PM - Nós tentamos sempre aconselhar aquilo que vai ficar melhor. Respeitamos o gosto da noiva mas tentamos sempre ajustar ao seu corpo. De um modo geral, as noivas são completamente receptivas à nossa opinião mas, pontualmente, pode haver uma pessoa (e acontece) que diz: “Não! Eu quero este, porque sinto-me bem com este!” E aí nós temos de respeitar.
JM - Às vezes, podemos substituir. Imaginemos que o tecido de baixo é muito “molinho”, marca tudo e, por acaso, a noiva é mais gordinha? Nós vamos substituir essa parte. A imagem é a mesma quando olha mas o vestido foi construído de uma forma diferente para favorecer. Isto é muito importante, porque quando as pessoas escolhem um vestido de noiva, estão um bocado perdidas, porque não é uma coisa que se escolha todos os dias. Eu acho que quem aconselha aqui tem um papel…
PM- Fundamental!
Além da colecção, têm modelos exclusivos?
PM - Sim, aí é desenhado um modelo único, exclusivamente para aquela noiva, porque pretende uma coisa completamente diferente e que não faz parte da colecção. Se quer exclusividade, é-lhe dada essa exclusividade. É feito um estudo, percebemos mais ou menos qual é o ambiente da festa, se é de manhã se é à tarde ou à noite, o local e toda a envolvência que ela entretanto já pensou. Também tentamos perceber qual é, de certo modo, o tema da festa. Depois são feitas algumas propostas que são discutidas com a noiva. É sem dúvida um trabalho mais exigente, porque é um trabalho de protótipo, tem provavelmente mais provas e as coisas são mais discutidas.
PM - Nós tentamos sempre aconselhar aquilo que vai ficar melhor. Respeitamos o gosto da noiva mas tentamos sempre ajustar ao seu corpo. De um modo geral, as noivas são completamente receptivas à nossa opinião mas, pontualmente, pode haver uma pessoa (e acontece) que diz: “Não! Eu quero este, porque sinto-me bem com este!” E aí nós temos de respeitar.
JM - Às vezes, podemos substituir. Imaginemos que o tecido de baixo é muito “molinho”, marca tudo e, por acaso, a noiva é mais gordinha? Nós vamos substituir essa parte. A imagem é a mesma quando olha mas o vestido foi construído de uma forma diferente para favorecer. Isto é muito importante, porque quando as pessoas escolhem um vestido de noiva, estão um bocado perdidas, porque não é uma coisa que se escolha todos os dias. Eu acho que quem aconselha aqui tem um papel…
PM- Fundamental!
Além da colecção, têm modelos exclusivos?
PM - Sim, aí é desenhado um modelo único, exclusivamente para aquela noiva, porque pretende uma coisa completamente diferente e que não faz parte da colecção. Se quer exclusividade, é-lhe dada essa exclusividade. É feito um estudo, percebemos mais ou menos qual é o ambiente da festa, se é de manhã se é à tarde ou à noite, o local e toda a envolvência que ela entretanto já pensou. Também tentamos perceber qual é, de certo modo, o tema da festa. Depois são feitas algumas propostas que são discutidas com a noiva. É sem dúvida um trabalho mais exigente, porque é um trabalho de protótipo, tem provavelmente mais provas e as coisas são mais discutidas.
Além dos vestidos, também criam sapatos e acessórios?
PM - Sim, também fazemos sapatos e normalmente nos sapatos cada caso é um caso. Temos um mostruário de loja que no fundo serve mais para as pessoas se basearem no que é que é possível fazer mas, normalmente, para cada noiva desenhamos um modelo. Os sapatos dependem muito do tecido que já escolheu, e que vamos usar para o vestido, ou da pele. Normalmente, há sempre uma ligação entre o tecido e pele ou só tecido igual ao vestido. Costumamos fazer um sapato por cliente. Quanto aos acessórios, temos alguns disponíveis, outros criamos, depende da situação. Hoje em dia, as pessoas estão a usar muito as peças de família, as jóias antigas, e o que nós muitas vezes tentamos fazer consiste em reajustar ao vestido ou adaptar.
PM - Sim, também fazemos sapatos e normalmente nos sapatos cada caso é um caso. Temos um mostruário de loja que no fundo serve mais para as pessoas se basearem no que é que é possível fazer mas, normalmente, para cada noiva desenhamos um modelo. Os sapatos dependem muito do tecido que já escolheu, e que vamos usar para o vestido, ou da pele. Normalmente, há sempre uma ligação entre o tecido e pele ou só tecido igual ao vestido. Costumamos fazer um sapato por cliente. Quanto aos acessórios, temos alguns disponíveis, outros criamos, depende da situação. Hoje em dia, as pessoas estão a usar muito as peças de família, as jóias antigas, e o que nós muitas vezes tentamos fazer consiste em reajustar ao vestido ou adaptar.
Consideram o uso das peças de família, uma tendência actual?
PM - Sem dúvida!
JM - E ainda bem! Houve alturas em que as pessoas usavam coisas de plástico! Não faz sentido, por exemplo, ter um vestido de 2800 euros e ter um acessório feito de cabo e pérolas. Ou cabo e cristais…
PM - É bom que essas peças antigas saiam cá para fora. Hoje em dia, há tão poucos eventos em que as pessoas podem usá-las!
JM - Nós usamos muito e aconselhamos muito a que as noivas as usem. Têm passado peças por aqui verdadeiramente maravilhosas!
PM - Acabam por dar um toque muito pessoal ao vestido e eu acho que isso é muito importante. Algo que tenha a ver com a noiva e que complete uma imagem única e equilibrada.
São reconhecidas em Portugal inquestionavelmente. Já pensaram em dar o salto para a cena internacional?
PM - Já! (Risos)
JM - Ainda não o fizemos porque temos filhos pequenos. Só estamos a aguardar que eles cresçam um bocadinho. (Risos) Porque acho que há imenso espaço mesmo lá fora, para nós. Se virmos um estilista de noivas italiano, nós estamos perfeitamente ao nível deles! Temos capacidade para concorrer com eles. Não temos é um país como, por exemplo, têm os espanhóis que os apoia incondicionalmente e que têm uma estrutura fantástica.
PM - Sem dúvida!
JM - E ainda bem! Houve alturas em que as pessoas usavam coisas de plástico! Não faz sentido, por exemplo, ter um vestido de 2800 euros e ter um acessório feito de cabo e pérolas. Ou cabo e cristais…
PM - É bom que essas peças antigas saiam cá para fora. Hoje em dia, há tão poucos eventos em que as pessoas podem usá-las!
JM - Nós usamos muito e aconselhamos muito a que as noivas as usem. Têm passado peças por aqui verdadeiramente maravilhosas!
PM - Acabam por dar um toque muito pessoal ao vestido e eu acho que isso é muito importante. Algo que tenha a ver com a noiva e que complete uma imagem única e equilibrada.
São reconhecidas em Portugal inquestionavelmente. Já pensaram em dar o salto para a cena internacional?
PM - Já! (Risos)
JM - Ainda não o fizemos porque temos filhos pequenos. Só estamos a aguardar que eles cresçam um bocadinho. (Risos) Porque acho que há imenso espaço mesmo lá fora, para nós. Se virmos um estilista de noivas italiano, nós estamos perfeitamente ao nível deles! Temos capacidade para concorrer com eles. Não temos é um país como, por exemplo, têm os espanhóis que os apoia incondicionalmente e que têm uma estrutura fantástica.
Como é que descrevem as vossas personalidades, criativamente falando?
JM - Pergunta difícil… Criativamente…Bem, a criatividade é daquelas coisas que ou se tem ou não se tem. Acho que não se adquire. Claro que depois se melhora e aprendem-se imensas coisas mas acho que é uma coisa que é natural em mim.
PM - (Risos) Há coisas que são tão naturais que nós nem pensamos nelas. É este o caso. Não sei bem… A verdade é que desde o início que temos a política de fazermos só o que gostamos. Porque se não o fizermos vamos ser iguais aos outros e, de certo modo, acabávamos por deixar de ter o nosso cunho pessoal. Os nossos vestidos têm e seguem uma linha. E as nossas clientes identificam-na! Realmente a nossa política de trabalho é a de não nos vendermos às ideias dos outros.
JM - Pergunta difícil… Criativamente…Bem, a criatividade é daquelas coisas que ou se tem ou não se tem. Acho que não se adquire. Claro que depois se melhora e aprendem-se imensas coisas mas acho que é uma coisa que é natural em mim.
PM - (Risos) Há coisas que são tão naturais que nós nem pensamos nelas. É este o caso. Não sei bem… A verdade é que desde o início que temos a política de fazermos só o que gostamos. Porque se não o fizermos vamos ser iguais aos outros e, de certo modo, acabávamos por deixar de ter o nosso cunho pessoal. Os nossos vestidos têm e seguem uma linha. E as nossas clientes identificam-na! Realmente a nossa política de trabalho é a de não nos vendermos às ideias dos outros.
No que é que se inspiram para as vossas criações?
PM - Eu acho que a inspiração vem de tudo o que nos rodeia. Tudo aquilo que acabamos por consumir de informação não só das próprias revistas de moda como também através da ida às lojas, ver o que as pessoas compram, o que consomem no seu dia a dia. Porque no fundo, é isso que as pessoas procuram.
JM - São esses olhares sobre as lojas, sobre o que a pessoa consome ou não consome, que depois nós transportamos nas nossas ideias.
PM - Eu acho que a inspiração vem de tudo o que nos rodeia. Tudo aquilo que acabamos por consumir de informação não só das próprias revistas de moda como também através da ida às lojas, ver o que as pessoas compram, o que consomem no seu dia a dia. Porque no fundo, é isso que as pessoas procuram.
JM - São esses olhares sobre as lojas, sobre o que a pessoa consome ou não consome, que depois nós transportamos nas nossas ideias.
Em termos de colecção já há novidades?
PM - Em Setembro já começamos a ter a colecção nova para 2010. Neste momento estamos a fazer as entregas do ano, basicamente porque toda a gente se casa entre Julho e Setembro. Outubro, também... Para nós, acaba o ano de 2009 e inicia-se o ano de 2010. É nessa altura que mostramos a colecção e depois as noivas começam a procurar-nos, normalmente o pico é Dezembro e Janeiro.
PM - Em Setembro já começamos a ter a colecção nova para 2010. Neste momento estamos a fazer as entregas do ano, basicamente porque toda a gente se casa entre Julho e Setembro. Outubro, também... Para nós, acaba o ano de 2009 e inicia-se o ano de 2010. É nessa altura que mostramos a colecção e depois as noivas começam a procurar-nos, normalmente o pico é Dezembro e Janeiro.
A simplicidade é uma característica das vossas criações?
PM - Sim, nós achamos que o próprio vestido não deve ofuscar a noiva.
Tem que haver um equilíbrio entre a forma e o material. Sem dúvida, é muito mais difícil construir um vestido simples, ou melhor que tem um ar simples… Por vezes para conseguirmos essa imagem de simplicidade é muito complicado.
JM - Mas eu acho que isto tem a ver connosco porque nós somos assim, não conseguimos fazer de outra maneira. Mesmo que quiséssemos! Mas sendo esta a nossa linha, eu acho que isso em nós é natural! O simples não é igual ao simplório e, realmente, trabalhar por medida dá-nos uma liberdade imensa para podermos fazer o simples e lidar só com tecidos de gama alta também nos dá essa liberdade.
PM - Sim, nós achamos que o próprio vestido não deve ofuscar a noiva.
Tem que haver um equilíbrio entre a forma e o material. Sem dúvida, é muito mais difícil construir um vestido simples, ou melhor que tem um ar simples… Por vezes para conseguirmos essa imagem de simplicidade é muito complicado.
JM - Mas eu acho que isto tem a ver connosco porque nós somos assim, não conseguimos fazer de outra maneira. Mesmo que quiséssemos! Mas sendo esta a nossa linha, eu acho que isso em nós é natural! O simples não é igual ao simplório e, realmente, trabalhar por medida dá-nos uma liberdade imensa para podermos fazer o simples e lidar só com tecidos de gama alta também nos dá essa liberdade.
Qual é que julgam ser a vossa mais-valia enquanto marca?
PM - O nosso trabalho é muito apreciado porque nós conseguimos disfarçar ou favorecer os pontos que a noiva quer, que achamos que fica melhor… Tudo o que deve ser possível, nós conseguimos fazer. Numa peça que não é feita por medida, ou uma pessoa tem aquele tamanho standard e fica indiscutivelmente muito bem ou então se foge um bocadinho às medidas, já não é a mesma coisa. Esta é realmente a grande diferença entre um vestido por medida como o nosso e o industrial.
JM - E depois há outra coisa, nós temos muito contacto com o público, o que eu acho que é uma grande vantagem para um estilista. Contactar, estar no terreno… Nós não estamos aqui fechadas num gabinete! Estamos aqui a ver o que é que as pessoas estão a sentir, o que esperam, o que é mais apreciado. E eu acho que, de facto, a beleza interior é uma coisa que é verdadeira e existe. Às vezes há uma noiva que entra e a pessoa diz: “Ai que bonita!” Mas depois não brilha. E é a beleza interior que faz essa diferença e isso é uma coisa real. Eu tenho tido este ano alguns casos de noivas que não são muito bonitas à primeira vista e que até são gordinhas mas fizeram noivas lindas, porque são pessoas que por si só conseguem ter uma beleza interior enorme!
PM - E temos feito trabalhos para noivas mais gordinhas, absolutamente fantásticos!
Desde miúdas saírem daqui quase a chorar de emoção porque, repare, há uma grande pressão social…Infelizmente. Lembro-me perfeitamente de um dia ter aqui chegado uma noiva que quase que a espreitar a medo perguntou: “ Fazem para o meu tamanho?” Porque a verdade é que já estão habituadas a chegar às lojas e a não encontrar nada. Hoje em dia não há tantos sítios assim onde se possa recorrer para fazer um vestido por medida. E temos feito trabalhos fantásticos! São trabalhos que estas noivas apreciam de uma forma muito diferente. Eu gosto imenso de fazer este tipo de trabalhos porque, é o que a Joana diz, há ali uma beleza interior que está fechada.
PM - O nosso trabalho é muito apreciado porque nós conseguimos disfarçar ou favorecer os pontos que a noiva quer, que achamos que fica melhor… Tudo o que deve ser possível, nós conseguimos fazer. Numa peça que não é feita por medida, ou uma pessoa tem aquele tamanho standard e fica indiscutivelmente muito bem ou então se foge um bocadinho às medidas, já não é a mesma coisa. Esta é realmente a grande diferença entre um vestido por medida como o nosso e o industrial.
JM - E depois há outra coisa, nós temos muito contacto com o público, o que eu acho que é uma grande vantagem para um estilista. Contactar, estar no terreno… Nós não estamos aqui fechadas num gabinete! Estamos aqui a ver o que é que as pessoas estão a sentir, o que esperam, o que é mais apreciado. E eu acho que, de facto, a beleza interior é uma coisa que é verdadeira e existe. Às vezes há uma noiva que entra e a pessoa diz: “Ai que bonita!” Mas depois não brilha. E é a beleza interior que faz essa diferença e isso é uma coisa real. Eu tenho tido este ano alguns casos de noivas que não são muito bonitas à primeira vista e que até são gordinhas mas fizeram noivas lindas, porque são pessoas que por si só conseguem ter uma beleza interior enorme!
PM - E temos feito trabalhos para noivas mais gordinhas, absolutamente fantásticos!
Desde miúdas saírem daqui quase a chorar de emoção porque, repare, há uma grande pressão social…Infelizmente. Lembro-me perfeitamente de um dia ter aqui chegado uma noiva que quase que a espreitar a medo perguntou: “ Fazem para o meu tamanho?” Porque a verdade é que já estão habituadas a chegar às lojas e a não encontrar nada. Hoje em dia não há tantos sítios assim onde se possa recorrer para fazer um vestido por medida. E temos feito trabalhos fantásticos! São trabalhos que estas noivas apreciam de uma forma muito diferente. Eu gosto imenso de fazer este tipo de trabalhos porque, é o que a Joana diz, há ali uma beleza interior que está fechada.
Conselhos preciosos para as noivas?
PM - Escolher o vestido com a devida antecedência. Depois, uma coisa que as pessoas não valorizam muito e que nós achamos que é importante, o cabelo e a maquilhagem. No fundo é o que vai complementar. A noiva deve fazer sempre um teste de cabelo com a devida antecedência, fotografar para ver se gostou, e provar o vestido com o cabelo para ter noção de como é que fica.
JM - Acho também que quando a pessoa vem escolher um vestido de noiva é importante saber aquilo que não gosta mas vir um bocadinho com a mente aberta.
PM - Outra coisa muito importante é não trazer muita gente! Uma comitiva! Eu acho que duas pessoas são suficientes para ajudar a escolher o vestido. Quando a noiva traz muitas amigas, normalmente não faz boas escolhas. Porque cada cabeça a sua sentença, como já diz o ditado.
PM - Escolher o vestido com a devida antecedência. Depois, uma coisa que as pessoas não valorizam muito e que nós achamos que é importante, o cabelo e a maquilhagem. No fundo é o que vai complementar. A noiva deve fazer sempre um teste de cabelo com a devida antecedência, fotografar para ver se gostou, e provar o vestido com o cabelo para ter noção de como é que fica.
JM - Acho também que quando a pessoa vem escolher um vestido de noiva é importante saber aquilo que não gosta mas vir um bocadinho com a mente aberta.
PM - Outra coisa muito importante é não trazer muita gente! Uma comitiva! Eu acho que duas pessoas são suficientes para ajudar a escolher o vestido. Quando a noiva traz muitas amigas, normalmente não faz boas escolhas. Porque cada cabeça a sua sentença, como já diz o ditado.
Qual é a melhor pessoa para ajudar na escolha?
JM - A mãe é a pessoa ideal. Sem dúvida de que a melhor pessoa para escolher o vestido de noiva é a mãe! De um modo geral é a pessoa que a conhece melhor. Não é como as amigas que, muitas vezes, já se estão a ver a elas vestidas para casar!
JM - A mãe é a pessoa ideal. Sem dúvida de que a melhor pessoa para escolher o vestido de noiva é a mãe! De um modo geral é a pessoa que a conhece melhor. Não é como as amigas que, muitas vezes, já se estão a ver a elas vestidas para casar!
Porquê um vestido Joana Montez e Patrícia de Melo?
JM - Porque com um vestido nosso o que sobressai é a personalidade da noiva.
PM - Não tentamos mascarar as pessoas. Tentamos sempre ir buscar muito daquilo que a pessoa é! Isso faz a diferença!
JM - Porque com um vestido nosso o que sobressai é a personalidade da noiva.
PM - Não tentamos mascarar as pessoas. Tentamos sempre ir buscar muito daquilo que a pessoa é! Isso faz a diferença!
Joana Montez Patrícia de Melo
Estilista: Carolina Herrera Versace
Vestido: belo de noiva
Maquilhagem: baton natural
Acessório: brincos colar
Sonho: felicidade paz interior








Amor e A